Na noite de 24 de junho, dia de São João, ainda faltavam 4 dias para minha marca, mas eu já vinha sentindo contrações desde o meio da 36º semana. Desde o final de maio, todo dia parecia ser O dia.
“Bom, Denise, agora você tem que relaxar. Vai passear, bater perna, tomar um sorvete. Isso também ajuda no trabalho de parto.”
O Dr. Marco Aurélio já não achava mais que o parto fosse adiantar da DPP. Eram 7 da noite quando saímos do consultório dele e o Guilherme, meu marido, queria ver uns livros na Leitura. Aproveitou a ocasião para me levar para “dar uma deambulada no Pátio”, nas palavras dele.
Andamos por quase 3 horas seguidas. Chegamos em casa e o Guilherme foi dar uma olhadinha no jogo de futebol (só uma passada de olho mesmo), enquanto eu fui pro computador. Depois, brincamos com nossa cachorrinha Lola e fomos revisar pela enésima vez a bagagem da maternidade. Tentei relaxar, mas a ansiedade era enorme. Tomamos um banho, colocamos pijamas e fomos ver um filminho. Lá pela meia noite, senti uma contração um pouco mais forte que as de costume, mas não me espantei; estava nos pródromos há mais de duas semanas, então pensei que elas estavam apenas ficando mais intensas. Dormi no sofá, acordei no colo do Guilherme. Dormi de novo, acordei a caminho da cama; eram mais de 3 da manhã.
Acordei às 6:30 da manhã sentindo contrações realmente fortes. “Amor, o trem tá ficando punk. Liga pro Marco Aurélio agora”.
O Guilherme balbuciou alguma coisa e virou pro lado e dormiu de novo. Tive que chacoalhar mais forte e dar uns beliscões nele. “Agora é de verdade. Acho que é contração MESMO. Liga pra ele pra saber o que fazer que eu vou tomar um banho. Rápido!”
O Guilherme se pôs a cronometrar as contrações, assim que elas estivessem de 5 em 5 minutos sairíamos de casa e iríamos pra Maternidade. O problema é que elas estavam quase ininterruptas. Às 7, veio uma que tirou todas as nossas dúvidas: Catarina resolveu finalmente nascer.
Aprontamos as coisas, comemos uma tigela de Sucrilhos e uma tia do Guilherme veio nos buscar para irmos para a maternidade. Chegamos lá por volta das 9, já pedindo atendimento de urgência. Fui direto para o consultório e o obstetra de plantão ao me examinar levou um susto: “7 centímetros de dilatação! Sete quase oito.” Eu havia dilatado aquilo tudo durante a noite, dormindo. Marco Aurélio já estava a caminho e chegou lá junto com meus pais. Todo mundo numa pressa danada.
Entre a chegada do meu médico e a liberação da sala de parto se passou uma hora, mas pareceram várias, uma eternidade. Meu marido e minha mãe se alternando nas massagens na base da coluna (ou no lombo, como o Guilherme dizia) a cada contração, já praticamente emendadas uma na outra. “Marco Aurélio, eu estou com vontade de fazer força. Posso?” Sinal verde. Lá se foi minha bolsa – espontaneamente, durante uma contração ainda no consultório.
Quando eu estava indo para a sala de parto, enquanto o Guilherme trocava de roupa e minha mãe já não podia mais me acompanhar para manter as massagens, eu perguntei para o Marco Aurélio se eu poderia tomar uma anestesia beeeeeeeeeem fraquinha, porque as dores estavam muito fortes, mas nada incapacitantes. Ele consultou um anestesista em quem ele confiava mais (diz que eles costumam pesar muito a mão nessas anestesias, de modo que o parto de cócoras fica inviável). “Faço sim, mas você sabe se ela comeu alguma coisa?” “Comeu sim, Sucrilhos.”
O anestesista repetiu, meio incrédulo: “Ela comeu Sucrilhos?!” como quem diz “quem é que come Sucrilhos antes de vir para a maternidade?” Enfim, não fui anestesiada (fico te devendo essa, Tony®!).
A essa altura, o Guilherme já havia aparecido e voltado a fazer as massagens, o que aliviou bastante a dor. Seguimos para a sala de parto, que não era muito grande, mas tinha boa iluminação natural. A cadeira de parto nos esperava lá e o Guilherme me ajudou a subir e sentar.
A partir daí a coisa toda evoluiu muito rápido. Nem bem fiz a primeira força e o Marco Aurélio falou: “Já estou vendo o cabelinho dela” (pensei comigo: “cabelo? Ele deve estar brincando.”). O Guilherme, animadíssimo, se agachou para tentar ver nossa filhota em primeira mão. Uma pequena platéia de enfermeiras se amontoou na janelinha da porta para ver quem era aquela E.T. que estava parindo sentada e sem anestesia. O pediatra chegou um pouco depois, puxou um banquinho e ficou assistindo (meio assustado) pela primeira vez, um parto de cócoras.
Quando ela estava quase nascendo eu achei que não fosse aguentar. O ardor era muito forte. Reclamei da dor para o Marco Aurélio, mas ele me animou, dizendo que estava tudo indo muito bem e que ela já estava nascendo. Recostei, tomei fôlego e fiz mais um pouco de força e ela simplesmente escorregou de dentro de mim para as mãos do Marco Aurélio.
Catarina veio direto para meu colo. Sem muita cerimônia, o pediatra já se meteu no meio e começou a aspirar. O Guilherme perguntou se era necessário e ele o deixou meio apavorado. “Ela está cianótica! Ainda não está fora de perigo, não! Temos que fazer ela respirar!” (nota 10 em sensibilidade e profissionalismo para esse senhor!). Colocaram ela por dois minutinhos naquela cama aquecida, só para fazer a avaliação (Catarina tirou 9-9 no teste Apgar... merecia até ganhar uma estrelinha). Depois voltou ao meu colo, onde permaneceu por mais uma hora e eu fiquei tentando fazer ela mamar, mas ela não se interessou muito, deu só umas lambiscadas. A placenta saiu logo em seguida e, de acordo com o Guilherme (que cortou o cordão), ela estava bem bonitona.
Nesse meio tempo ficamos batendo papo com o Marco Aurélio (que além de “parteiro”, bate um bolão como fotógrafo), com as enfermeiras e babando na nossa cria. Em seguida o Guilherme a acompanhou até o berçário. No caminho, ele passou em frente a várias salas de parto. Em todas elas aconteciam cesáreas (a julgar pelo dia e pelo horário, eram em sua maioria cirurgias agendadas). Ironicamente, Catarina calhou de vir ao mundo por vias naturais num horário que é a “cara” de cesariana eletiva, em plena manhã de quinta-feira.
O Guilherme saiu para cuidar da liberação do quarto e eu fiquei lá para fazer a revisão. Tive uma leve laceração (três pontinhos). Era quase meio-dia e eu estava faminta! Graças a Deus o Marco Aurélio me liberou para comer o que eu quisesse. Fui para a observação e percebi que tinha virado o assunto do bloco. As outras mulheres que se recuperavam de suas cirurgias (cheias de fios, soro, sondas) me perguntavam se eu era a tal que havia tido um parto de cócoras sem anestesia, ao que respondia animadíssima que sim - foi revigorante a forma como tudo aconteceu. Elas diziam que pela minha cara, nem parecia que eu tinha acabado de ter um bebê – já eu pensava o contrário: “ter um filho é uma coisa tão boa... elas que não pareciam ter passado por uma experiência tão boa quanto a minha.”
2 horas depois do parto cheguei ao quarto faminta. Estavam lá minha irmã, o Guilherme, o irmão e a cunhada dele. “Quem é que vai buscar um Big Mac pra mim?” - perguntei. Meu cunhado se prontificou e daí a pouco lá estava eu recém chegada da sala de parto comendo com a maior boca boa, matando a saudade de ter espaço no estômago. Só larguei o sanduíche quando finalmente trouxeram a Catarina do berçário, pra onde ela não voltou mais.
No dia seguinte já almoçamos todos em casa. E foi assim que me tornei mãe (nós nos tornamos pais) da menina mais linda do mundo!

9 pessoas nos visitaram e deixaram um recado:
Que Deus abençoe e dê muiiiiiiiiiiiiiiiito LM pra Catarina!!!
Vc e o maridão estão de Parabéns!!!
Carol (da Luna)
Denise, que lindo, parabéns!!!
É isso aí Denise, nasce uma mãe, um pai, um bebê.
Me emociono sempre qd leio relatos como o seu e me faz recordar do meu segundo bebezinho.
jesus abênçoe sua família e te dê força e sabedoria no dia e noite para cuidarem bem da princesinha de vocês.
Bjos
Túlia (Rebeca2a10m cesária e Moisés 7m parto natural, nascido de cócoras na água.)
http://belaflor-borboletinha.blogspot.com
Parabéns!! Pelo parto, pela filhota, pela família linda! :)
(ah, eu também achei minha placenta lindona rs)
Beijos!
Parabéns mamãe, papai e pequena (e linda) Catarina....
linda a maneira como vc descreveu um momento tao seu, tao parcular.Me senti honrada por poder ler e sentir como foi tudo tao lindo...
Parabens e que Deus continue abençoando a cada dia mais essa linda familia..
Bjos
Renée
E eu, titia!
Dos relatos mais emocionantes que já li na vida!
Parabéns! E muuuuuuita saúde pra vocês!
Denise, super parabéns! Você tem todos os motivos para estar super orgulhosa! Toda saúde do mundo pra Catarina, e toda felicidade pra vocês três. Um beijo.
Que motivador esse depoimento. Estou em vias de parir também, e li sobre essa modalidade de cócoras pela primeira vez na revista da Pró Teste de maio. Fiquei super interessada... e com seu testemunho fiquei super motivada!
Hehe - a Lara virá ao mundo de cócoras!!! kkk
Postar um comentário